KoBu-Do/ KoBujutsu
Definir a origem exata do KoBu-Do não é tarefa das mais simples, pois a maior parte dos documentos escritos sobre esta arte marcial foram destruídos em incêndios e bombardeios ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial. Na versão mais aceita pelos historiadores, as restrições impostas aos camponeses de Okinawa, proibindo-os de carregar armas, fez que estes passassem a adaptar ferramentas agrícolas, criando um sistema marcial desenhado para que pudessem se defender de possíveis ataques. Todavia, atuais estudantes de artes marciais não foram capazes de encontrar reforço histórico para esta teoria, e as provas colhidas por vários historiadores ligados às artes marciais apontam para a casta guerreira Pechin (equivalente à dos samurais no Japão) como aquela que praticava e estudava estas artes, diferentemente dos Heimins, ou camponeses. É verdade que o povo de Okinawa, sob regência dos poderes estrangeiros, foi proibido de portar armas ou utilizá-las em público. Mas a luta armada que estes praticavam secretamente (e os tipos de armas com as quais praticavam) tinha fortes raízes chinesas, e exemplos de armas similares foram encontrados a China, provenientes de épocas anteriores asa adaptações de Okinawa.
As tradições do KoBu-Do foram desenhadas partindo das técnicas nativas de Okinawa, que nasceram a partir dos ajis, a classe dos nobres, e por métodos importados da China e possivelmente de outros paises que comerciavam com os Ryukyus. A maioria das tradições do KoBu-Do moderno, que sobreviveram aos tempos difíceis durante e depois da Segunda Guerra Mundial, foram preservadas e passadas às gerações seguintes por Taira Shinken e Kenwa Mabuni, e desenvolvidas para um sistema de práticas por Motokatsu Inoue, em conjunto com Taira Shinken. Outros mestres dignos de nota, que tiveram seus nomes adotados em katas de KoBu-Do, são Chotoku Kyan, Shigeru Nakamura e Shinko Matayoshi.
O KoBu-Do é considerado por alguns estudiosos como o precursor do Karate-Do e vários estilos desta arte incluem algum grau de treinamento de KoBu-Do, como parte de seu currículo. Similarmente, não é incomum ver um chute ou outro golpe de “mãos limpas” em um kata de KoBu-Do. Em alguns estilos, as técnicas das duas artes são tão fortemente relacionadas, evidenciadas pelo uso de armas e de “mãos vazias” em um determinado kata, por exemplo, Kanku-daí, Kanku-sai Gojushiho e Gojushiho-no-sai; embora estes sejam Katas de KoBu-Do, não são formas tradicionais deste, mas foram desenvolvidos a partir de katas do Karate-Do. Outros katas do KoBu-Do demonstram elementos da técnica de “mãos vazias”, mantidos das formas antigas; Soeisi No Daí, uma forma de kata de Bo, é um dos poucos tipos de autêntico kata de KoBu-Do que utiliza chutes com técnica secundaria.
Armas de KoBu-Do - Shin Shu Kan
Bo
O Bo consiste em uma espécie de barra que mede cerca de 1,82 m (Rokushaku Bo), podendo medir também 2,80 m (Kyushaku Bo) e um metro (Sanshaku Bo). Foi desenvolvido provavelmente a partir de uma ferramenta agrícola chamada Tenbin, que era uma vareta, colocada por trás dos ombros, com cestas ou sacos pendurados de cada lado. O Bo era também usado possivelmente com cabo de ancinho ou de pá. Juntamente com variações mais curtas, como o Jô e o Hanbo, pode também ter sido desenvolvido a partir de bengalas utilizadas por viajantes, especialmente monges. O Bo é uma das primeiras armas de Okinawa, sendo considerado o “rei” de todas elas, e é tradicionalmente feito de carvalho branco ou vermelho.
Sai
O Sai é considerado por alguns estudiosos como uma variação de uma ferramenta utilizada para criar sulcos no solo; esta teoria, todavia, não se sustenta, pois o metal em Okinawa era escasso à época, sendo que o mesmo instrumento, se talhado em madeira, serviria muito melhor aos propósitos dos camponeses, ou Heimins.
Consiste em uma pequena barra de ferro forjado, com dois grandes ganchos partindo de sua empunhadura, utilizados para defesa contra ataques de sabre. Sua ponta pode também ser afiada e servir como um estilete; sua medida deve ser igual (nunca superior) à do antebraço do usuário. Quando só possui um gancho é conhecido como Jitte ou Jutte.
Tonfa
A tonfa, em seu formato moderno, é facilmente reconhecida devido à sua semelhança com o cassete da polícia, embora seu uso seja diferente. Supostamente, originou-se do cabo de uma pedra mó, utilizada para triturar grãos. É tradicionalmente feita de carvalho vermelho, e pode ser segura tanto pela curta empunhadura perpendicular quanto pelo punho mais longo.
Nunchaku
O Nunchaku é uma arma feita de dois pedaços de madeira (ou metal, em concepções modernas) ligados por uma corrente ou corda. Há muita controvérsia sobre suas origens: alguns dizem que é proveniente da China, outros que evoluiu do malho (arma antiga que possuía um cano atado a uma bola de ferro com pontas por uma corrente), enquanto uma das teorias propõe que foi desenvolvido a partir de freios utilizados em cavalos. O Nunchaku chinês tende a ser redondo, enquanto o japonês é octogonal, e originalmente os dois pedaços de madeira eram unidos com crina de cavalo. Há inúmeras variações do Nunchaku, compreendendo desde o cassetete de três secções (san-setsu-kon) até os menores multiseccionados.
O Nunchaku foi popularizado por Bruce Lee, que o utilizou em vários filmes, produzidos tanto em Hong Kong quanto em Hollywood
Kama
A última das armas maiores de Okinawa é o Kama (grafado também como Gama). Trata-se de uma foice tradicional, e é considerada como uma das mais difíceis de aprender a manejar, devido ao perigo inerente à prática com tal arma. No ponto em que a lâmina se une ao cabo, normalmente, há uma concavidade, destinada à defesa contra ataque de Bo, que pode ali ficar preso; embora esta seja uma das vantagens desta arma, é também um ponto fraco em seu design.